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Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria – Padroeira de Portugal e da Diocese de Vila Real

Esta solenidade da Imaculada Conceição, tão arreigada na cultura e na espiritualidade do Povo de Deus, exalta a figura de Maria, escolhida para mãe do Redentor. Ela é a imaculada, isto é, sem mancha, sem pecado, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo. Assim rezamos há momentos na oração coleta desta celebração. De facto, só uma vida isenta da marca da maldade e do pecado podia ser capaz de acolher em si o Deus Santo e dá-lo ao mundo.

Mas esta liturgia sublinha acima de tudo e canta a bondade de Deus e a sua misericórdia. Como escutamos no relato da primeira leitura do Livro do Génesis, após o pecado das origens, Deus não abandonou a criatura humana. Acima do castigo proclama a grande promessa da salvação: a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Este é o primeiro anúncio da salvação realizado em Jesus Cristo. Apesar dos pecados dos homens, Jesus Cristo, nascido de Maria, na sua Páscoa venceu definitivamente todo o mal.

A realização desta promessa começa a acontecer na Anunciação do Anjo, que saúda Maria, em Nazaré, como «a cheia de graça». Foi possível esta obra de salvação a partir do sim que Maria dá à proposta de Deus: «conceberás e darás à Luz o Filho do Altíssimo». Um sim que foi precedido, como nota o evangelista, por uma perturbação, porque uma tal proposta vinda do Céu abala qualquer existência. Um sim antecipado ainda por dúvidas: «Como será isto?». Mas depois de superadas as dúvidas e temores, o sim de Maria é um sim total, com a entrega toda da sua vida, que se dispõe a servir o plano de Deus: «Eis a serva do Senhor».

Esta solenidade celebra a esperança da humanidade que se concretiza na promessa de Deus e ganha forma no sim de Maria e de todos aqueles que ao longo da História souberam escutar a proposta salvífica de Deus e responder com um sim. Um sim que signifique o compromisso de toda a vida. Aquele sim que se dá no batismo. O sim que se diz no matrimónio; o sim que se afirma na consagração à vida religiosa ou na ordenação no ministério sacerdotal.

O sim do cristão, dado no contexto das várias vocações, é uma resposta que, vencidas as dúvidas e receios, envolve toda a vida e significa um compromisso forte e inabalável com a grande obra de Deus: vencer toda a forma do mal e do pecado; restabelecer a possibilidade de salvação do homem.

Mas esta solenidade proclama, antes de mais, esse outro sim de Deus. Aquele assumido por Deus ao não abandonar o homem, obra das suas mãos, ao decidir salvá-lo. Por isso, escutamos o apóstolo Paulo, na segunda leitura, bendizer a Deus, «que nos abençoou com toda a espécie de bênçãos». A maior dessas bênçãos foi ter-nos escolhido para sermos santos, para sermos seus filhos. Apesar de frágeis e pecadores, cada ser humano é filho amado de Deus e escolhido por Ele para uma vocação e uma missão, a prioritária das quais é a vocação à santidade.

Deus quer-nos encher da sua graça, para que a sua salvação comece a acontecer já na nossa vida. Para que ela possa realizar-se em nós, nas nossas condições concretas de vida, são indispensáveis, tal como aconteceu em Maria, duas condições: a nossa resposta livre, o nosso sim, pleno, consciente, convicto, concretizado e alargado no «eis-me aqui», pleno de prontidão e disponibilidade para a missão. A segunda condição é a ação do Espírito Santo que permitiu a Maria gerar o Filho de Deus; o mesmo Espírito que recebemos no Batismo e no Crisma e nos possibilita que na nossa vida muitas coisas impossíveis aconteçam. Pelo seu Espírito, Deus habita em nós e renova-nos a partir de dentro, enchendo-nos da sua santidade.

Nesta celebração temos a alegria de celebrar o sacramento confirmação com um grupo de cristãos, devidamente preparados. Depois de responderem sim ao credo batismal, pela imposição das mãos e unção com o óleo do crisma, receberão o grande dom do Alto, prometido por Jesus Ressuscitado: o dom do Espírito Santo. Como diz o Catecismo da Igreja Católica, esse Espírito, recebido no Crisma, encoraja-nos e enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, une-nos mais a Cristo, aumenta em nós os dons do Espírito Santo e reforça o laço que nos une à Igreja, comprometendo-nos mais com sua missão.

Que Ele vos encha de sabedoria, inteligência, fortaleza e piedade. Que vos ajude a um compromisso mais efetivo com a comunidade cristã e com a missão de ser sinal de Deus no mundo. Que a todos, nesta solenidade, pela intercessão da Senhora da Conceição, Deus encha da sua paz e da sua graça. Amen.

Vila Real, 8 de Dezembro de 2019

+António Augusto de Oliveira Azevedo