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Tendo sido nomeado Bispo de Vila Real pelo Papa Francisco e tomado posse canónica da Diocese no dia 30 de Junho,
DECRETO a recondução nos seus cargos do Vigário Geral e de todos aqueles que, a teir do Direito Canónico, necessitam da confirmação da legítima autoridade eclesiástica para continuarem a exercer as suas funções, até mandar o contrário.
Mais lhes concedo as faculdades habituais necessárias ao desempenho das suas funções.
Vila Real, 30 de Junho de 2019
+António Augusto de Oliveira Azevedo
Bispo da Diocese de Vila Real
Caros Diocesanos! Caros Padres, Diáconos, Religiosos e Leigos. A paz esteja convosco! Comunico-vos a grande alegria, que vos encherá de júbilo. O Papa Francisco deu-nos o D. António Augusto de Oliveira Azevedo, como Bispo de Vila Real. Alegremo-nos e exultemos! É uma mais-valia para a Diocese. Agradeçamos ao Papa, que preside à caridade e manifesta, assim, a Sua solicitude por esta porção do Povo de Deus.
A entrada do Senhor D. António, na Sé Catedral de Vila Real, terá lugar, no dia 30 de Junho próximo, da parte de tarde. Exorto-vos, a receber o novo Bispo, com alegria e afecto, como os trasmontanos sabem fazer. Recebamos com fé e gratidão Aquele que Deus nos dá, para nos conduzir na obediência e sequela de Jesus Ressuscitado.
D. António é jovem, culto, generoso, com futuro promissor. É lufada de ar fresco da beira-mar, do Concelho da Maia, para dar novo vigor à Diocese e conquistar o coração da gente nova e dos que andam arredios, trazendo-os ao apreço e amor do Evangelho. A Diocese precisa de sangue novo, dum Bispo jovem, que fará toda a diferença. Os jovens são os protagonistas da renovação e pedem o envolvimento das famílias, dos Padres e do Povo de Deus. Eles querem empenho, proximidade, empatia, sangue novo, coerência, fidelidade e nova linguagem, que os cative e fale ao coração.
Em 2022, a Diocese celebra Cem Anos de existência. É motivo e ocasião de renovação, de aposta em movimentos, obras, estruturas intermédias, em iniciativas, coordenadas pelo novo Bispo, em prol da unidade e da fecundidade apostólica da Diocese. Importa seguir a máxima de Santo Inácio de Antioquia: tudo com o Bispo, nada contra o Bispo. E, na revitalização da Igreja Diocesana, exorto à co-responsabilidade e empenho de todos e cada um, lembrando a recomendação de Santo Agostinho: “unidade nas coisas necessárias, liberdade nas duvidosas e caridade em tudo”.
Aproveito para agradecer o carinho e amor que me dispensastes e peço que continueis a rezar por mim. Depois de assegurar a administração apostólica diocesana, como o Santo Padre me pede, viverei o resto dos meus dias, longe dos holofotes, na meditação e oração, por Vós e pela Igreja toda à qual me consagrei, nunca me tendo arrependido de me ter doado, com a graça de Deus, como pude e soube, ao anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, meu Senhor a quem amei e quero amar, por toda a minha vida.
Peço a Deus que Vos abençoe. Por Vós rezo e a todos exorto a receber, com alegria, o novo Bispo que o Senhor nos deu, que é já o meu bispo e quero que seja o Vosso.
Vila Real, 13 de Maio de 2019.
+ Amândio José Tomás
Administrador Apostólico Diocesano de Vila Real
Caros Padres! No dia do sacerdócio, celebramos a Eucaristia, que Jesus instituiu, antes de morrer. Nela prometemos fidelidade ao Filho de Deus, Servo e Cordeiro Pascal, que nos une no Seu sacrifício. Pela Ressurreição, venceu a morte, abre-nos a porta do Céu e faz-nos herdeiros da Sua vida gloriosa. A fé em Cristo exige mudança de vida, a fuga e contrição do pecado, a renúncia à cobiça e sede do poder, pois nem tudo é permitido. Sem o amor fraterno, o amor a Deus é mentira, contra-testemunho e descrédito de tudo o que Jesus disse, fez e nos manda fazer.
1.- Sede fiéis ao ministério. Obedecei a Cristo Ressuscitado. Vivei na alegria de quem O ouve e Lhe obedece. É Ele que dá a graça e a paz. Ele é a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte, o Senhor da glória, o Cordeiro Imolado e Vencedor, que nos ama e purifica, com o Seu sangue e fez de nós sacerdotes, que lhe dão o gesto e a palavra. Jesus venceu a morte e vive glorioso. É nosso Intercessor, que garante a vida de Deus.
A Primeira Carta de João resume o que ouvimos e anunciamos, dizendo: Deus é luz. N’Ele não há trevas. Se dizemos que temos comunhão, com Ele, e andamos, nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, caminhamos na luz, como Ele está, na luz, então temos comunhão uns com os outros e o sangue do Seu Filho, Jesus Cristo, nos purifica do pecado (1 Jo.1, 5-8). Confessemos os pecados e que Deus, fiel e justo, nos perdoe. A fé em Deus pede a mudança de vida e a fiel obediência a Cristo e ao ministério. Ele é o Advogado e o Justo que expia os nossos pecados (1 Jo,2,1-2). Para andar na luz e verdade, amemos as exigências morais e doutrinais irrenunciáveis, sem as calar. Não há fé, sem obras e sem verdade, diz S. João: “Filhinhos, não amemos só, com a boca e com os lábios, mas amemos com obras e verdade”.
O Concílio Vaticano II falou do divórcio entre fé e vida. De facto, vivemos num mundo corrupto, hipócrita, farisaico, violento, que escraviza, vende órgãos e pessoas, comete crimes e maus tratos sexuais e outros, contra menores, mulheres, doentes e um rol de escravizados. Diz Jesus: se alguém escandalizar um destes pequeninos, que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem, à volta do pescoço, uma mó de moinho, movida por jumentos e o lançassem no fundo do mar (Mt. 18,6). Não sejamos motivo de queda. Não escandalizemos, nem levemos outros à perdição. Apostemos no valor da vida e da dignidade humana. Há linhas vermelhas, tolerância zero e valores morais e doutrinais, irrenunciáveis, prévios, não negociáveis que têm a primazia e devem ser respeitadas, por todos, sempre, em toda a parte e sem excepção alguma.
2.- Como era hábito, Jesus entrou na Sinagoga de Nazaré, leu o texto de Isaías e disse: cumpriu-se hoje a palavra da Escritura que ouvistes. Jesus cumpre o que foi dito pelos Profetas, fez-se servo, deu a vida por nós, unindo o Antigo e o Novo Testamento, fiel à Aliança de Deus com os homens. A Escritura toda fala de Cristo. Contra Marcião, a Igreja lê, ouve e aprecia o Antigo Testamento, ciente da única e definitiva Aliança, que tem o vértice em Jesus Filho de Deus Encarnado. A Boa Nova de Cristo foi anunciada, em Sinagogas, onde Jesus ia ouvir e comentar a Palavra de Deus. Só após a recusa de Israel, é que o Evangelho de Cristo foi anunciado, nos Areópagos e casas de cristãos, na maior parte, vindos do paganismo helenista. O culto sinagogal de Israel, com leitura da Lei e Profetas e o seu comentário, como fez Jesus, em Nazaré, influenciou a Liturgia Cristã. A Palavra de Deus do Antigo Testamento é proclamada, esperando os hebreus o seu cumprimento. Nós, porém, cremo-la como já realizada em Jesus Filho e Palavra Eterna de Deus, feita carne. Após a destruição do Templo de Jerusalém, como Jesus profetizara, e o desaparecimento dos sacrifícios cruentos de animais, alheios ao culto cristão, o Cânone da Missa ou Oração Eucarística, ficou ancorado, no Sacrifício de Cristo, Servo, Vítima, Templo, Sacerdote e Altar, que, na Cruz, se ofereceu, uma vez por todas, vencendo o pecado e a morte, com a Sua Ressurreição. A Eucaristia é o Memorial da Morte e Ressurreição do Senhor, que, na véspera da Sua Paixão, a instituiu, tomando o pão e o cálice, com vinho. Da Eucaristia se nutre e vive a Igreja, mistério de comunhão e obra do Filho de Deus morto e Ressuscitado.
3.- Ao emprestar a Cristo, na Eucaristia, a palavra e o gesto, não esquecer o que somos e fazemos, adorando, crendo, obedecendo, amando o mistério de Cristo, que damos aos fiéis, cientes de que a quem mais for dado mais será exigido. Não esqueçamos a advertência da Ordenação: “Toma consciência do que virás a fazer, imita o que virás a realizar e confirma a tua vida, com o mistério da cruz do Senhor”.
O sacerdote não se aguenta, sem adoração, ascese, meditação e escuta da Palavra. Não vive sem o amor de Deus, sem esperança na vida eterna e sem sequela e imitação de Cristo. Teimamos em harmonizar Deus e os nossos caprichos, caindo, na idolatria narcisista e no desprezo dos pobres e dos fracos, nos quais Deus quer ser reconhecido. A oração e escuta de Deus, na Sinagoga, das quais Jesus não prescindia, exortam-nos a cultivar o espírito e arte da oração, a leitura e meditação da palavra de Deus, o culto e a adoração da Eucaristia, sem esquecer a caridade pastoral, a caminhada sinodal, com Cristo, em Igreja, e a comunhão quotidiana, com o Bispo e com todo o Presbitério.
Com os votos de santa Páscoa, despeço-me, na caridade de Cristo, e peço a Deus que Vos proteja e abençoe a Vós e aos Fiéis que Vos estão confiadas. “A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo, com amor inalterável ” ( Ef. 6, 24 ).
Vila Real, 18 de Abril de 2019.
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real
Caros Padres, Diáconos, Religiosas e Fiéis Leigos! Queridos Diocesanos e Diocesanas! Está próxima a Páscoa de Jesus Ressuscitado, que nos dá vida eterna, após ter vencido o pecado e a morte. Que Deus Vos confirme na fé, em Cristo vivo e vitorioso, que dá a vida gloriosa e eterna a que somos chamados. Disse Bento XVI aos Jovens: não tenhais medo. Cristo nada Vos rouba, mas tudo Vos dá. Também São João Paulo II nos exortou: Não tenhais medo. Abri as portas a Cristo, escancarai-as. Foi S. João Paulo II que me ordenou bispo, dia 6 de Janeiro de 2002, na Basílica de S. Pedro. Pedi a Deus que me torne fiel ao dom recebido, na imposição das suas mãos e a Jesus Cristo Ressuscitado, que vive, com o Pai, para nos dar a vida. Pela Sua gloriosa ressurreição, venceu a morte e elevou à glória do Pai o Corpo, que Ele recebeu, no seio da Virgem Maria, a qual, Sua humilde serva, concebeu pelo poder, obra e graça do Espírito Santo.
1.- Jesus ressuscitou, no primeiro dia da semana, no dia do sol, no primeiro da criação, após o Sábado, que passou a ser o Dia do Senhor ou Domingo, em que se fez ver aos discípulos (Mc.16,1-2; Mt.28,1; Jo.20,1). Lucas junta as Aparições, no primeiro dia da semana (Lc 24,1-53) e diz que Paulo e os companheiros se reuniram, no primeiro dia da semana, como de costume, em Tróade, para celebrar a Eucaristia (Act. 20,7). Foi no Sábado à tarde, pois o dia começava, na tarde anterior. A reunião litúrgica, no primeiro dia, era celebrada, ouvindo o ensino dos Apóstolos, rezando, partindo o pão, nas casas (Act. 2,42-47), como fez Jesus em Emaús (Lc 24, 30-32) e antes de morrer, na Última Ceia ao instituir a Eucaristia (1 Cor.11,23), tornando presente o sacrifício da cruz, que foi aceite, pelo Pai, na Ressurreição. Assim nós anunciamos a morte, proclamamos a Sua Ressurreição, esperando a Sua vinda gloriosa. Crucificados há muitos. Ressuscitado só Jesus, que dá vida, mediante o sacrifício presente e significado, no pão e no vinho consagrados, como memorial da morte e Ressurreição, junto com o gesto simbólico do lava-pés (Jo.13,3-18). Não é refeição vulgar (Act 2,46; 20,11; 1 Cor.11,17-22), mas Ceia do Senhor, Comunhão e Fracção do Pão. A Igreja vive dela. Ela faz a Igreja e é amor, dom de si, serviço, como diz S. João: “ninguém diga que ama a Deus a quem não vê se não ama o irmão que vê, esse é mentiroso”. Por isso, diz Jesus: nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei (Jo. 13, 34-35). Seremos julgados, pelo amor, dispensado aos irmãos necessitados ( Mt. 25, 31-46 ).
2.- No memorial da Morte e Ressurreição, que é a Eucaristia, a Igreja ouve, celebra e dá-nos a Palavra de Deus. No Dia do Senhor, João, o vidente de Patmos foi arrebatado, ouviu, anunciou a Palavra do Cordeiro imolado e glorioso e o que o Espírito diz à Igreja Esposa, perseguida (Ap.1,10). Na Eucaristia, o mistério pascal da morte e ressurreição é actualizado, feito presente e dá fruto. Jesus vencedor do pecado e da morte dá a vida e consola a Igreja que caminha no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus, como diz S. Agostinho. Na Eucaristia, a Igreja celebra a morte e ressurreição, ouve, reza e anuncia a Palavra de Deus, que, por sua vez, gera e congrega a Igreja.
3.- Ao celebrar Cristo Cordeiro Pascal que foi imolado (1 Cor. 5,7; Jo. 19,36 e Ex. 12,15), recordamos o memorial interpretativo e actualizante da Eucaristia, sob a figura do pão e do vinho consagrados e a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, que morreu uma só vez, para não mais morrer, e ressuscitou, vivendo para sempre, para nos dar a vida. Paulo fala do centro da fé e da Tradição Apostólica, em ordem à comunhão, criada pela Eucaristia, que Jesus instituiu, antes de ser entregue (1 Cor.11,23-26). Fazendo o que Jesus fez ao tomar o pão e o vinho, anunciamos a morte do Senhor, até Ele vir. Abordando o Mistério Pascal, Paulo narra o que viu e ouviu das testemunhas oculares, que viram Jesus antes de morrer, às quais o Ressuscitado se fez ver. Paulo não tendo visto Jesus, antes da Ressurreição, viu-o glorioso, perto de Damasco, quando Ele lhe apareceu ressuscitado (1 Cor. 15,1-8), e se tornou para o Apóstolo a vida da sua vida.
4.- A morte e ressurreição de Jesus e o memorial da interpretação salvífica, actualizada na Eucaristia, fazem parte do depósito da fé, que a Igreja vive e ensina e Paulo, após a conversão, recebeu da tradição. Morte, sepultura e ressurreição são o centro da fé e da tradição apostólica, vivido e ouvido das testemunhas oculares, que viram, ouviram e tocaram a carne do Senhor e O viram glorificado. A Ressurreição, com a vinda do Espírito, moveu os Discípulos do Senhor a ir pelo mundo anuncia O que os olhos viram, os ouvidos ouviram e as suas mãos tocaram, acerca do Verbo da Vida. Nós somos os herdeiros e arautos do anúncio apostólico das testemunhas oculares. Comunicamos o que recebemos e aprendemos, na Igreja, vivendo em união, com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo (1 Jo. 1,1-3).
5.- Recolhendo o ensino do Sínodo dos Bispos sobre a Juventude e o seu Instrumento de Trabalho “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica “Cristo Vive”, com 9 capítulos e 299 pontos, sobre a gloriosa vida do Ressuscitado, que guia, acompanha, ensina e salva. Jesus peregrina connosco e quer que vivamos com Ele, d’Ele, n’Ele e para Ele. Explica-nos a Escritura, fala de Si e do desígnio salvífico de Deus, como em Emaús, para nos levar ao Pai e à vida gloriosa. Vivemos para anunciar Cristo: “Todos, Tudo e Sempre em Missão”. Deus chama-nos a ser arautos de Cristo, Caminho, Verdade e Vida e faz de nós actores, co-responsáveis e operadores eficazes do anúncio da Boa Nova e do Reino de Deus.
A intimidade com Jesus é o centro e o objectivo da Exortação do Papa. No eclipse de Deus, sem valores e sem norte, há o perigo de endeusar estratégias, planos pastorais e os nossos gostos, em vez de obedecer a Deus, caindo na idolatria do efémero, que não salva, nem nos dá a bem-aventurança, que só Jesus Ressuscitado nos pode dar.
6.- Cresce o número de pobres, necessitados, escravizados, maltratados e oprimidos. Há também catástrofes naturais, como a que vitimou o povo irmão de Moçambique. A fé não dispensa a partilha e a caridade, dpois não há verdadeira fé, sem a prática de boas obras, por isso diz S. João “não honremos a Deus só com palavras e com a boca, mas com obras e verdade” (1 Jo. 3,18). Exorto-vos, Irmãos, a ajudar os necessitados de Moçambique, através da Caritas, e a todos os outros que Deus pôs, no nosso caminho. A Igreja é caridade e comunhão. A fé autêntica actua pela caridade. O Amor, o Diálogo e a União Fraterna são o espelho da Trindade Santíssima.
Perdoai-vos e ajudai-vos mutuamente. Vivei em paz. Socorrei e consolai os pobres, os tristes e atribulados, imitando Deus Pai Misericordioso. Peço que rezeis por mim. Que Deus Vos conserve unidos, no amor. Desejo-vos uma Santa Festa da Ressurreição do Senhor, pedindo a Deus que Vos abençoe e que “a graça e a paz Vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo “ ( 1 Cor. 1, 3 ).
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.
No passado dia 19 de Março, Solenidade de S. José, partiu para a casa do Pai Celeste o caríssimo D. Maurílio Jorge Quintal de Gouveia, saudoso Arcebispo Emérito de Évora, o qual, durante quase 27 anos, pastoreou aquela nobre e antiquíssima arquidiocese. A sua passagem por Lisboa, como bispo auxiliar do Senhor Cardeal D. António Ribeiro, e pela Arquidiocese Eborense foi uma bênção, que deixou marcas na alma daquele bom povo. Granjeou o apreço da gente alentejana, com o seu temperamento sorridente e expansivo. Foi sempre próximo da gente, particularmente dos pobres e afastados de Deus. Recordemos a visita do São João Paulo II a Vila Viçosa e o entusiasmo que ela suscitou, bem como o ardor e a solicitude do Arcebispo de Évora, nas Visitas Pastorais, nos Encontros de Jovens, no Pontifício Conselho do Apostolado dos Leigos, do qual fazia parte, e no contacto com a gente humilde da sua arquidiocese. A dignidade da pessoa humana estava no centro da sua actividade apostólica, vista e apreciada com os olhos da fé em Jesus Cristo. A sua actividade pastoral apostava no contacto pessoal, em sair e no encontro com os necessitados de verdade, de pão e de sincero afecto.
Em 2002, fui ordenado, por S. João Paulo II, bispo auxiliar da Arquidiocese de Évora. Tive o privilégio de ajudar D. Maurílio, que me recebeu e me considerou como irmão. Partilhava comigo os problemas, dificuldades, dores, alegrias e resoluções, dum modo, que eu sempre considerei extraordinário e exemplar, de modo que nunca o esqueci e sempre o apreciei e continuarei a apreciar. Fui ao seu encontro, quando ele estava já um pouco mais limitado. Foi exemplar o acolhimento que me proporcionou, Sempre me tratou como verdadeiro irmão. Dele guardo as melhores recordações e um santo e reconhecido apreço, que me apraz expressar, neste momento de dor e de esperança.
Como canta a Liturgia da Igreja, no prefácio dos defuntos: “ para os que morrem a vida não acaba, apenas se transforma e desfeita a morada deste exílio terrestre uma habitação eterna se adquire no Céu”. Jesus Ressuscitado venceu a morte e dá-nos a vida gloriosa, abrindo-nos as portas do Céu. A fé no Ressuscitado alimenta a esperança do nosso reencontro com este fiel servo de Deus. Cientes da mensagem que o Senhor D. Maurílio sempre proclamou, durante a sua vida terrena, com o Apóstolo S. Paulo, cremos, firmemente, que “nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem jamais passou pela mente humana, o que Deus preparou para os seus escolhidos”.
Que Deus Misericordioso se digne conceder ao seu bom e humilde servo a vida eterna, na Comunhão dos Santos, com Jesus Ressuscitado vencedor do pecado e da morte.
Vila Real, 21 de Março de 2019.
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.
Irá acontecer no dia 11 de Maio uma acção de formação sobre ÉTICA MÉDICA, no auditório do Instituto S. João de Deus (Irmãos de São de Deus), em Lisboa.
mais informação em https://goo.gl/forms/rsSh8JPl5GHDxWkC3
Universidade Católica Portuguesa | Lisboa
Inscrições a decorrer até 18 de março.
Informações e Inscrição online em INFORMAÇÕES | INSCRIÇÕES
Caríssimos Diocesanos! Deus faça de vós testemunhas do amor de Jesus Ressuscitado, na esperança da vida gloriosa, que “nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram, nem jamais passou pela mente humana o que Deus preparou para os seus escolhidos”.
1.-Deus criou-nos à Sua imagem, ordenou o amor fraterno, procurando mais o que une que o que separa. O Papa Francisco foi aos Emiratos Árabes Unidos assinar, com o Imã Ahmad Al-Tayyib da Universidade de Al-Azhar, a Declaração Conjunta da Fraternidade Humana, em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum, recordando o encontro de S. Francisco de Assis com o Sultão al-Malik al-Kamil, em 1219. A paz é um dom de Deus e obra humana e faz-se com gestos de diálogo, comunicação, respeito e ajuda mútua.
2.- Judeus, cristãos e muçulmanos acreditam no Deus Único. Os Muçulmanos falam de 99 nomes de Deus, mas não de Deus Pai, por não crerem, na Trindade, na paternidade e na filiação em Deus. O cristão crê em Deus Pai e no Filho que se fez carne, morreu e ressuscitou, evita o choque de civilizações, não faz mal em nome Deus, que nos criou à Sua imagem. Não deve criar falsificações de Deus, que não quer a morte, mas a vida e diálogo. Nem deve ter medo de Deus, que nos deu o seu Filho Unigénito, que, por nós, morreu e pela Sua ressurreição venceu a morte. Disse Bento XVI: “não tenhais medo de Cristo, pois Ele não vos rouba nada, mas tudo vos assegura e dá ”. Acontece, porém, que se troca Deus pelo efémero e a verdade pela mentira, adorando a criatura, em vez do Criador ( Rom. 1,25 ), prisioneiros do medo, que gera violência, injustiça, xenofobia, ódio, guerra e toda a espécie de crimes.
3.- A Quaresma termina no triunfo de Páscoa de Jesus sobre a morte. Na Ressurreição Ele prepara-nos um lugar, junto do Pai. A vida gloriosa de Jesus é o centro e alicerce da fé. “Se Cristo não ressuscitou é vã a fé e a pregação” (1 Cor. 15,14). A Páscoa celebra a vitória sobre a morte e o retorno do Filho ao Pai, que veio para no-lo dar a conhecer. A fé no Ressuscitado livra da morte, dá vida. Ele morreu e ressuscitou por todos. A fé no Ressuscitado abre à esperança de Deus e ao outro. Não existimos, não somos felizes, não comunicamos, não temos consciência de nós, nem crescemos como pessoas, sem os outros. A pessoa é sempre alguém com outro no mundo.
4.- No final do meu ministério episcopal, na Diocese, que vai celebrar o seu Centenário, peço que vivais no amor, pois Cristo quer a união, obra do Espírito, que Jesus dá. Jesus orou pela união dos discípulos (Jo. 17,1-26). Perseverai, na fé recebida. Vivei a unidade na caridade, para que o mundo creia e Deus seja louvado. Não vos deixeis seduzir pelo brilho efémero. Apetecei os valores eternos, firmes na fé, em Jesus Ressuscitado, que nos dá o Espírito e caminha connosco, explicando a Palavra (Lc 24,13-35). Como Paulo, despedindo-se da Igreja de Éfeso, exorto-vos a viver na fé, na esperança e na caridade, “confiando-vos a Deus e à Palavra da Sua graça, que tem o poder de construir o edifício e de vos conceder parte na herança com todos os santificados ” (Act.20, 32).
Agradeço a amizade e a oração e rezo por vós. Que Deus vos livre do mal e alicerce, na caridade, ajudando os pobres, os estrangeiros e desprezados. Teremos sempre pobres (Jo. 12,8) e o que fizermos aos mais pequeninos a Jesus é feito (Mt 25,40). Há que abrir a bolsa, o coração e as mãos, para ninguém ser excluído, vivendo, na penúria. Somos chamados a partilhar bens, com os pobres da Diocese e do mundo. A Renúncia, neste ano de 2019, reverterá, em partes iguais, em prol dos Pobres da Diocese de Vila Real e dos pobres da Venezuela. Uma parte da Colecta será entregue às Conferências de São Vicente de Paulo, para ajuda dos pobres da Diocese, e a outra parte será destinada aos necessitados da Venezuela, que lhes chegará às mãos, através da Caritas. Deste modo, procuramos ajudar os de perto e os de longe, crescendo em empenho e solidariedade.
Exorto a que a “vossa caridade seja sem fingimento. Detestai o mal e aderi ao bem. Amai-vos uns aos outros, com amor fraterno. Rivalizai uns com os outros, na estima recíproca. Não sejais indolentes, no zelo, mas fervorosos, no espírito. Dedicai-vos ao serviço do Senhor, permanecendo alegres, na esperança, pacientes, na tribulação e perseverantes, na oração” (Rom 12, 9 - 12).
Recomendo-me às Vossas orações, impetrando para Vós as bênçãos celestes, de modo que “ a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos Vós” (2 Cor.13,13).
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real
Caríssimos Padres, Diáconos, Seminaristas, Religiosos, Leigos, Jovens e Adultos:
Aproxima-se a Festa do Nascimento de Jesus, que pouco diz a quem trocou o Menino Jesus pelo Pai Natal e pelo consumo desenfreado dos prazeres do mundo secularizado, agnóstico, indiferente e egoísta. O Natal perdeu a conotação religiosa, com o Filho de Deus feito homem. O eclipse de Deus trocou a adoração de Jesus pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo espectáculo e pelo brilho efémero das coisas terrenas.
Este Natal é, de certo, o último, como Bispo de Vila Real e, por isso, peço para serdes fiéis à vocação a que fostes chamados, de fé e esperança, no Filho de Deus, que fez de nós filhos e herdeiros do Reino de Seu Pai. Permanecei firmes, na fé e na esperança, e activos, na caridade, sem terdes vergonha de Cristo, que nasceu, morreu e ressuscitou, para nossa salvação. Em resposta, à vinda e descida do Filho de Deus, que encarnou e se fez homem, peço para serdes arautos do anúncio vivo do Ressuscitado. Como disse Bento XVI aos jovens: “não tenhais medo de Cristo porque Ele nada vos rouba, mas tudo vos dá e assegura”. Já o Papa S. João Paulo II, no início do pontificado pediu: “Não tenhais medo. Abri as portas a Cristo, antes escancarai-as”.
1.- No Ano Missionário, o lema é:“todos, tudo e sempre em missão”. A Missão é nota constitutiva da Igreja evangelizada e evangelizadora e fruto das Missões Divinas do Filho e do Espírito, que brotam da fonte do amor do Pai. O Filho de Deus fez-se carne, passou fazendo o bem, morreu e ressuscitou, venceu o pecado e a morte, sendo nosso Modelo, Mestre e Referência Suprema. Por sua vez, o Espírito Santo é o dom do Pai e do Ressuscitado, para anúncio do Evangelho, e é a alma da Igreja, vivendo, no nosso coração, como num templo. O Espírito é o cordão umbilical e o Amor em Pessoa, na Trindade Santíssima. É Ele que derrama o amor nos corações, para ser comunicado e ateado e conquistar todas as criaturas, para o conhecimento e amor de Jesus Cristo.
Peço, Irmãos caríssimos, Padres, Religiosas e Leigos, que vivais santamente, no amor e façais a vontade de Deus. Cristo conta convosco e espera muito de vós. Ninguém fique de fora, nem deixe de fazer a vontade de Deus e de O glorificar. Somos chamados a evangelizar, a amar e crescer, na santidade, segundo o mandato de Deus: “sede santos como Eu sou santo”. O programa é obedecer a Deus, fazendo a Sua vontade, porque, como diz S. Paulo, “a vontade de Deus é a vossa santificação”.
O símbolo da Porta do Ano Missionário abre ao horizonte da missão universal e mostra a importância e a necessidade dos agentes evangelizadores e comunicadores da fé em Cristo. A visão de Tróade (Act 16,9-10) levou Paulo a passar à Macedónia, abrindo a porta ao anúncio de Jesus Cristo, na Europa. Do mesmo modo, o ardor missionário e a necessidade de levar o Evangelho de Cristo a todos, contribuirá para a evangelização e santificação do mundo e para o conhecimento do amor de Jesus Cristo Filho de Deus. “Há caminhos não andados que esperam por alguém”.
Há que preparar os agentes evangelizadores, os arautos da Boa Nova de Jesus Cristo. Há que inovar, que arregaçar as mangas e encontrar maneiras novas e nova linguagem e os processos de cativar as pessoas, para o conhecimento e o amor de Deus, que se manifesta em Jesus Cristo e nos santifica e molda interiormente, pelo Seu Espírito.
2.- Estamos a preparar a Celebração do Centenário da Criação da Diocese, que ocorre a 20 de Abril de 1922. Há que sonhar, arquitectar e implementar estudos, celebrações e acções de catequese e evangelização, nas Paróquias e nos Arciprestados, com novos processos, nova linguagem e novo ardor, em ordem à construção da Igreja Diocesana, feita de pedras vivas, ou seja de cristãos convertidos e inteiramente fiéis e conformes à imagem de Jesus Ressuscitado. Convido as Crianças, os Jovens e os Adultos de todas as idades a empenharem-se, na obra da construção da Igreja Diocesana, em que cada um de nós é, e deve ser, uma pedra viva do Templo do Senhor Ressuscitado.
Há que formar Leigos, apostar neles, confiar-lhes as missões a que são chamados e, para as quais estão, naturalmente, capacitados e predispostos. A Diocese esvazia-se. A população diminui. A mobilidade traz problemas. A pertença à comunidade paroquial e diocesana ressente-se disso. Os Padres são cada vez menos. É preciso rezar e pedir trabalhadores para a seara do Senhor, mas há que acordar para a nova evangelização dos poucos que somos, espevitando o ardor missionário, indo às periferias, para levar o tesouro do Evangelho aos homens e mulheres de hoje, à imitação dos Magos que, guiados pela estrela, foram adorar e levar os seus dons ao Menino Jesus.
Como os Pastores de Belém, que obedeceram ao coro dos Anjos e foram ao Presépio, e, como Maria Santíssima, que obedeceu, foi fiel e acreditou em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor, assim cada um de nós se abra à vontade de Deus e se predisponha a pô-la em prática, indo anunciar, como a Mãe de Deus e como os Pastores, a alegria do amor do evangelho de Jesus Cristo Salvador.
Assim, o Natal terá eco, nas nossas vidas, a vontade de Deus será cumprida, a Palavra de Deus será escutada e posta em prática. A Palavra de Deus está sempre à espera da nossa resposta de obediência, compromisso e missão. Se obedecermos e colhermos a mensagem do Natal, a razão de Deus encarnar e se fazer um de nós, testemunharemos que não foi em vão que o Filho de Deus veio, para nos dar a vida e nos servir e salvar, nascendo da Virgem Maria, fazendo o bem, morrendo e ressuscitando por nosso amor.
“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo esteja convosco” (2 Cor. 13,13), com a protecção da Virgem e dos Santos. Amen.
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.
Colégio Salesiano de Poiares nos dias 8, 9, 16 e 30 de Dezembro
Dia 8 das 16h às 18h30.
Dia 9 das 15h às 17h.
Dia 16 das 16h30 às 18h30.
Dia 30 das 15h às 17h.








