A Conferência Episcopal Portuguesa promoveu este sábado o II Encontro Sinodal Nacional, que reuniu cerca de 160 participantes de todas as dioceses do país, com o objetivo de identificar propostas pastorais concretas para a vivência do caminho sinodal em Portugal. Ao longo dos trabalhos, foi sublinhado que o essencial da sinodalidade passa por discernir “que tipo de serviço” cada pessoa é chamada a assumir na Igreja.
Da Diocese de Vila Real participou o bispo diocesano, D. António Augusto Azevedo, acompanhado por seis leigos, membros da Equipa Sinodal e do Conselho Diocesano de Pastoral, que se envolveram ativamente na reflexão e no trabalho conjunto.
Na abertura do encontro, o presidente da CEP, D. José Ornelas, afirmou que o novo pontificado representa uma “afirmação da continuidade” do caminho da sinodalidade, considerando-o hoje “ainda mais urgente” face ao atual contexto internacional. O responsável sublinhou que a conjuntura mundial exige um aprofundamento renovado da natureza sinodal da Igreja, tanto na sua vida interna como na sua missão. “Vivemos tempos marcados pela intensificação de conflitos e guerras que ceifam milhares de vidas e destroem meios essenciais de subsistência, colocando em risco a sobrevivência das populações mais vulneráveis”, afirmou.
Seguiu-se uma reflexão de D. Virgílio Antunes, vice-presidente da CEP, que destacou que este é o tempo de passar da reflexão à ação, colocando a sinodalidade em prática e integrando-a de forma concreta na vida das comunidades cristãs.
Durante a manhã, os representantes das dioceses partilharam os passos já dados na implementação do Documento Final do Sínodo. Entre os avanços identificados destacaram-se a valorização dos Conselhos Pastorais, os processos de reorganização pastoral em redes ou unidades sinodais, o investimento na formação do clero e dos leigos, o reforço dos ministérios laicais e a promoção de práticas alargadas de escuta para o discernimento pastoral.
Apesar das dificuldades ainda presentes — como resistências clericais, fragilidades na decisão partilhada, défices formativos, cansaço pastoral e limitações estruturais —, foram também apontados sinais de esperança. Entre eles, o crescimento da corresponsabilidade, o entusiasmo de comunidades que já experimentam práticas sinodais, o compromisso dos bispos, o surgimento de novos ministérios laicais e a aproximação de pessoas anteriormente afastadas da vida eclesial.
À tarde, os trabalhos prosseguiram em 20 grupos sinodais, seguindo o método da conversação no Espírito, a partir da pergunta orientadora: “Que Igreja somos chamados a ser a partir da conversão no Espírito?”. Das reflexões emergiu, de forma transversal, a prioridade da escuta, concretizada na proposta de criação de práticas pastorais consistentes, com tempos e espaços próprios de escuta espiritual, humana e comunitária, no quotidiano das paróquias, dioceses e contextos de vida e trabalho.
No documento conclusivo preliminar, os participantes sublinharam a necessidade de uma profunda conversão do olhar e da linguagem eclesial, abandonando lógicas de poder para assumir uma perspetiva evangélica centrada no serviço. “Somos chamados a deixar para trás a pergunta ‘quem manda na Igreja’ e a entrar no espaço mais exigente e libertador da questão: que tipo de serviço é pedido a cada um, segundo o dom que recebeu”, refere o texto.
Os trabalhos apontaram ainda para a promoção de uma Igreja de acolhimento e misericórdia, de portas abertas, sem obstáculos ou condições prévias para quem procura Jesus, bem como para uma Igreja corresponsável e participativa, onde todos os batizados são chamados a integrar os processos de discernimento, decisão e ação pastoral.
Outra linha forte foi o apelo a uma Igreja centrada em Cristo, orante e missionária, que privilegia o “ser” antes do “fazer”, investe na formação contínua a partir do Evangelho e assume uma presença profética junto das situações de sofrimento, injustiça e exclusão. Foi igualmente sublinhada a importância de uma pastoral que comunica e caminha em rede, com especial atenção ao protagonismo dos jovens como agentes ativos do anúncio do Evangelho.
“O que as partilhas revelam é uma transição cultural em curso, lenta, mas real, onde a sinodalidade se afirma como caminho, método e horizonte”, conclui o documento, sublinhando a abertura de novos espaços de comunhão, participação e missão na Igreja em Portugal.
Partilha da Diocese de Vila Real
A Diocese de Vila Real tem vindo a dar passos concretos no caminho sinodal.
Após a receção do documento final, realizou-se uma Assembleia Sinodal, que reuniu o Conselho de Presbíteros e o Conselho Diocesano de Pastoral. Foi um momento particularmente significativo de comunhão, de escuta e de discernimento, vivido à luz do Espírito Santo.
Este encontro permitiu aprofundar a leitura da síntese, clarificar prioridades e confirmar orientações pastorais, num clima marcado pela oração, pela comunhão e pela atenção ao que o Espírito diz à nossa Igreja diocesana.
Deste processo resultaram linhas orientadoras para o caminho pastoral da Diocese, posteriormente reafirmadas em Conselho de Presbíteros e no Conselho Diocesano de Pastoral, que entram agora numa nova fase de aprofundamento e concretização.
À medida que o processo avançou, tornou-se necessário reforçar a equipa sinodal, integrando novas pessoas e competências, para garantir uma maior proximidade às comunidades, uma melhor sistematização dos contributos e um acompanhamento mais consistente de todo o percurso. Este reforço deu maior solidez ao processo e ajuda a assegurar a sua continuidade.
Encontramo-nos agora na etapa dos Encontros Sinodais Arciprestais, que pretendem aprofundar o discernimento a nível local, reforçar a comunhão entre paróquias e ajudar a traduzir este caminho em opções pastorais concretas. Neste sentido, realizou-se recentemente um encontro com os arciprestes da Diocese.
Este caminho não termina aqui. É um processo contínuo de escuta, corresponsabilidade e missão, confiado à ação do Espírito Santo, que nos chama a construir juntos uma Igreja mais próxima, mais participativa e mais missionária.
A maior dificuldade no caminho sinodal prende-se, de facto, com a falta de formação sobre o que é ser Igreja-Comunhão, onde todos têm lugar, a partir da vocação comum, associada a uma certa desconfiança por parte de alguns membros do clero e também de leigos.
Nesta caminhada sinodal, somos acompanhados pelo nosso bispo, D. António Augusto Azevedo, que incentiva, estimula e acalenta com Luz da Esperança. É um grande sinal positivo que nos dá a certeza de que, passo a passo, seremos uma Igreja sinodal na corresponsabilidade eclesial.
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