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Consagrados: 100 anos religando os homens a Deus e os homens entre si

Integrada nas celebrações do Centenário da Diocese de Vila Real teve lugar na sexta-feira, dia 11, no Colégio Moderno de S. José, pelas 21h, mais uma ‘Tertúlia do Centenário’, desta vez dedicada à vida religiosa, “Consagrados: 100 anos religando os homens a Deus e os homens entre si”.

Três elementos da direção regional da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP), Diocese de Vila Real, expressaram a sua visão acerca da vida consagrada. O Pe. Paulo Ferreira OFM, Presidente Regional CIRP, ilustrou o que foi e é a vida religiosa nesta circunscrição eclesiástica, remontando a 1147 e percorrendo a história até ao momento presente. O sacerdote franciscano lembrou que existem, hoje, 11 institutos religiosos, três masculinos e oito femininos, que actuam neste território em áreas que vão da educação da infância ao cuidado dos anciãos, da pastoral paroquial atá ao apostolado doméstico, sublinhando ainda que os religiosos que marcam contemporaneamente a sua presença na diocese mediante uma intensa evangelização, embora debilitados na saúde e fragilizados por uma idade avançada, não resignaram e continuam bem activos.

A Ir. Assunção Machado, CDPSF, natural da Campeã, partilhou a beleza do que é sentir-se chamada à vida consagrada e como a sua família teve um papel preponderante no seu discernimento vocacional através da experiência da oração em família e de um diálogo profícuo, os quais lhe permitiram avançar com segurança.

A Irmã Conceição Rodrigues, CONFHIC, interveio destacando os desafios que se colocam aos consagrados no contexto epocal, enquanto portadores de valores numa sociedade massificada e também enquanto sentinelas, observando os sinais que surgem, se dispõem a colaborar na construção de uma vida social e eclesial mais fraterna e integrativa. A religiosa frisou também a importância de se estar atento ao despertar da vida religiosa, quer masculina, quer feminina, nos jovens, bem como à sua divulgação. Os párocos têm um papel crucial nesta revelação da vida consagrada, disse a irmã, partilhando como exemplo a sua história pessoal.

A tertúlia contou ainda com o testemunho de um casal, o Francisco Esteves e a Ana Gouveia, que falaram do impacto positivo que as religiosas onde estudaram tiveram e têm na sua vida pessoal, quer enquanto matrimónio quer enquanto pais, sendo para esta família a vida religiosa uma escola de valores e de preparação para os embates da vida.

O Sr. Bispo, D. António Augusto, encerrou a noite tecendo um louvor aos institutos que operam por toda a diocese e a enriquecem com os diferentes matizes dos seus carismas mediante um amplo e diversificado campo de acção. O prelado, estando consciente das vulnerabilidades das actuais comunidades religiosas, ressalvou o magnífico trabalho que estas fazem e, sem cair em cenários desoladores, incentivou à esperança com um olhar profundo face aos sinais que a história nos oferece.

A tertúlia foi conduzida pelo Pe. João Costa que moderou a mesa e lembrou que a vida religiosa nascida nesta diocese foi mais além do território, tocando outras latitudes. Muitos foram aqueles que já partiram e muitos são aqueles que ainda, como consagrados, dão o seu testemunho cristão ‘ad intra’ e ‘ad extra’.

Porque onde há vida religiosa, há vida cultural, reflexo da beleza de Deus, a tertúlia teve também a participação do grupo musical ‘Mendigo de Deus’, o qual trouxe consigo a Irmã Maria Amélia Costa, CONFHIC, que nos ajudou pela música a mergulhar na ‘via pulchritudinis’, isto é, na via da beleza de um Deus que se manifesta em cada religioso e religiosa.

Pe. Paulo Ferreira OFM