O ano pastoral que está a começar é mais uma etapa do nosso caminho como Povo de Deus na história. Este é o tempo em que são retomadas algumas atividades eclesiais a par da abertura do ano letivo e o regresso em pleno, após o período de férias, de muitos setores profissionais. Na nossa região esta é também a época das vindimas e das colheitas de vários produtos da terra que mobilizam muitas pessoas e geram maior azáfama nas nossas aldeias.
A Diocese de Vila Real propõe a todos como lema inspirador para o caminho deste ano: Partilhar uma esperança viva. Em sintonia com o ano jubilar que terminará em dezembro, somos convidados a aprofundar a virtude da esperança não só na nossa vida pessoal mas também a levá-la aos outros, sobretudo os que dela mais carecem. No contexto histórico em que vivemos, cheio de preocupações e desafios complexos, não podemos cair no desânimo nem deixar enganar por ilusões. Precisamos, mais do que nunca, de ter consciência das razões da nossa esperança e dar testemunho dela sobretudo junto das pessoas mais desesperadas.
A esperança cristã é viva e dá vida porque se fundamenta na Páscoa de Cristo, o momento decisivo da história em que Deus realizou a promessa de salvar a humanidade. Essa convicção de que o Senhor está vivo, nos ama e nos abre horizontes de «novos céus e nova terra», continua a iluminar o nosso caminho. Os cristãos que ao longo da sua história assistiram ao nascer e ao ruir de reinos e impérios, que passaram por épocas de hostilidades e perseguições e outras de tolerância e liberdade, transportam um grande património de esperança que nada poderá abalar. É uma esperança fundada em Deus, alimentada pela confiança de que Ele nunca nos abandona. Uma esperança viva que somos chamados a partilhar.
O plano pastoral da diocese para este novo ano propõe as seguintes prioridades: fomentar a sinodalidade nas comunidades cristãs; acolher as várias gerações e proporcionar a sua participação na vida da Igreja; cultivar a caridade como expressão da esperança. De facto o ano que agora começa será marcado pela implementação ao nível local do processo sinodal. Será oportunidade decisiva para uma profunda renovação eclesial em estilo sinodal ou seja, uma Igreja mais dinâmica, acolhedora e participativa. Uma das manifestações desta atitude é a abertura à participação de todos, dos mais jovens aos mais velhos. Acresce ainda a necessidade de valorizar a dimensão sócio-caritativa da Igreja, de reforçar a matriz cristã de muitas instituições (IPSS’s, Misericórdias e outras) e de incrementar uma rede local de apoio, articulada com a Cáritas, que ajude a minorar alguns problemas sociais.
A par de alguns sinais da vida do mundo que suscitam preocupação, importa reconhecer outros sinais que, neste início de ano pastoral, nos enchem de esperança. Em primeiro lugar colocamos uma enorme esperança nos mais jovens que iniciam uma nova etapa da sua formação humana e cristã. De facto na catequese da infância e adolescência é significativo o número total de catequizandos nas nossas comunidades, ainda que em algumas aldeias escasseiem as crianças. É igualmente de sublinhar a dedicação de centenas de catequistas que as acompanham e o empenho de muitas famílias na formação dos seus filhos. Poderíamos ainda acrescentar o papel e testemunho de muitos professores de EMRC (Educação Moral e Religiosa Católica) e de outros professores cristãos nas diversas escolas. Não podemos esquecer também a importante missão formativa dos Escuteiros e outras associações. Cada um, à sua maneira, é semeador de esperança, instrumento essencial para que cada criança e jovem tenha oportunidade de olhar o futuro com mais esperança e de se preparar devidamente para que seja um futuro feliz.
Um outro sinal de esperança é o da recente nomeação de novos párocos para algumas comunidades da diocese. A nova missão que receberam, correspondida pelo bom acolhimento e colaboração dos paroquianos, constitui uma oportunidade de renovação dessas paróquias. Neste processo, porém, torna-se mais patente a realidade preocupante da escassez de presbíteros que continuará nos próximos anos. Depositámos, por isso, grande confiança no grupo de seminaristas da diocese bem como no grupo de candidatos ao diaconado permanente. E a todos os diocesanos pedimos mais orações para que o Senhor envie mais operários para esta messe.
Com um sentimento de esperança encaramos também as próximas eleições autárquicas, atendendo à extrema importância que as autarquias têm na vida das comunidades locais e no desenvolvimento da região. Antes de mais é devida uma palavra de reconhecimento aos autarcas que cumpriram o mandato que está a terminar e uma palavra de confiança àqueles que o povo escolher para o próximo mandato. Além do apelo à participação, pedimos que, concluída a eleição, sejam superadas as discórdias e divisões que, por vezes, ferem as relações nas comunidades, de vizinhos e até famílias. Respeitando a diversidade de opções, é indispensável fomentar a paz e a união quando se trata do bem das populações locais e da região.
Estamos a iniciar um novo caminho. Sejamos capazes de o fazer juntos e sobretudo de partilhar e cumprir a esperança. Como cristãos, acreditamos que Deus não nos defrauda nem nos engana. E nome de uma esperança ativa, sejamos capazes de cumprir a nossa parte, de nos comprometermos em realizar aquilo que depende de nós. Que Maria, Nossa Senhora da Conceição, nossa Mãe do céu e Padroeira nos acompanhe e proteja.
Vila Real, 2 de outubro de 2025
+António Augusto de Oliveira Azevedo

Diocese de Vila Real Diocese de Vila Real