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Mensagem de Natal de D. António Augusto de Oliveira Azevedo

Natal, hino à vida e à humanidade

          A celebração do Natal é motivo de renovada alegria para todos. Para os cristãos e para os homens e mulheres de boa vontade é um tempo especial de celebração da vida e da humanidade. Não se reduz a um tempo de férias, a um interregno no ritmo do quotidiano, mas é um tempo singular, cheio de tradições e vivências únicas e das mais belas das nossas vidas.

          O Natal tem um rosto e um nome: Jesus, Filho de Maria, nascido no presépio de Belém. Não celebra um evento anónimo, impessoal ou ficcional, mas relata uma história concreta que as crianças têm direito a escutar e os adultos precisam de recordar. Conta-nos a história de uma vida que veio do céu para habitar nesta terra, a aventura de uma família que teve de superar dificuldades para acolher o seu filho e relata-nos a festa que inundou os corações dos que ouviram o anúncio daquele nascimento. A história do nascimento de Jesus é um grande hino à vida e à humanidade.

          Colocar o rosto e o nome de Jesus no centro do Natal permite-nos contemplar o rosto surpreendentemente humano de Deus e inspira-nos a olhar de outra forma para o rosto do cada ser humano. A mensagem do presépio ensina-nos a olhar o outro com mais ternura e amor, a respeitar o seu nome e a sua dignidade, a reconhecer as suas fragilidades e sofrimentos. A vivência do Natal neste espírito mais genuíno é uma experiência que nos permite vislumbrar o mistério de Deus e aproximar mais da humanidade.

          Neste espírito, desejo a todas as famílias que este Natal seja tempo de encontro, de alegria, de celebração da vida e da fé. Àquelas que passam por situação de carência, de pobreza ou desemprego, às que vivem a provação da doença ou do luto pela perda de um ente querido, manifesto a minha solidariedade e apelo a que renovem a sua confiança em Deus porque nenhuma tribulação nos pode separar do seu amor revelado em Cristo.

          Aos mais jovens envio uma saudação muita amiga e votos de que vivam o Natal com grande alegria interior e com fé autêntica. Celebrando o nascimento de Jesus, cada um e cada uma reforce a confiança de que temos um companheiro que nos ajuda a caminhar na vida, uma luz que nos ilumina no meio de sombras e dúvidas, uma maior certeza de que esta vida humana que Deus quis abraçar é uma bela aventura.

          Às pessoas mais idosas, de modo especial às que estão sós, quero manifestar a minha estima e proximidade. Apesar de todo o sofrimento trazido por esta pandemia, nunca desistam de acreditar que têm um lugar especial no coração de Deus e estão sempre presentes no nosso pensamento e nas nossas orações.

          Nesta quadra festiva endereço também um cumprimento muito caloroso e fraterno a todos os migrantes. Aos que partiram desta diocese e vivem agora noutras zonas do país, da Europa ou do mundo, particularmente os que estão impossibilitados de passar o Natal com a sua família, faço votos que sintam que a fé nos aproxima e reforça os laços da nossa comunhão. Da mesma forma saúdo todos os migrantes que vieram de outros países e agora vivem entre nós, desejando que se sintam acolhidos como membros mais novos da nossa família diocesana.

          Para todas as pessoas que interiormente se sentem injustiçadas, incompreendidas ou marginalizadas; para quem está desanimado ou zangado com a vida; para os que estão desencantados com a humanidade, que este Natal signifique o despontar daquela luz de esperança trazida por Deus que nunca desistiu da humanidade e quis ser um Deus-connosco.

          A todos os diocesanos de Vila Real, neste Ano Jubilar do centenário da nossa diocese, desejo um Santo e Feliz Natal. Como família diocesana, permaneçamos unidos em Cristo e que Ele esteja sempre connosco, nos abençoe e conceda saúde, alegria e paz.

Vila Real, 14 de dezembro de 2021

+António Augusto de Oliveira Azevedo