Caríssimos Diocesanos! Deus faça de vós testemunhas do amor de Jesus Ressuscitado, na esperança da vida gloriosa, que “nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram, nem jamais passou pela mente humana o que Deus preparou para os seus escolhidos”.

1.-Deus criou-nos à Sua imagem, ordenou o amor fraterno, procurando mais o que une que o que separa. O Papa Francisco foi aos Emiratos Árabes Unidos assinar, com o Imã Ahmad Al-Tayyib da Universidade de Al-Azhar, a Declaração Conjunta da Fraternidade Humana, em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum, recordando o encontro de S. Francisco de Assis com o Sultão al-Malik al-Kamil, em 1219. A paz é um dom de Deus e obra humana e faz-se com gestos de diálogo, comunicação, respeito e ajuda mútua.

2.- Judeus, cristãos e muçulmanos acreditam no Deus Único. Os Muçulmanos falam de  99 nomes de Deus, mas não de Deus Pai, por não crerem, na Trindade, na paternidade e na filiação em Deus. O cristão crê em Deus Pai e no Filho que se fez carne, morreu e ressuscitou, evita o choque de civilizações, não faz mal em nome Deus, que nos criou à Sua imagem. Não deve criar falsificações de Deus, que não quer a morte, mas a vida e diálogo. Nem deve ter medo de Deus, que nos deu o seu Filho Unigénito, que, por nós, morreu e pela Sua ressurreição venceu a morte. Disse Bento XVI: “não tenhais medo de Cristo, pois Ele não vos rouba nada, mas tudo vos assegura e dá ”. Acontece, porém, que se troca Deus pelo efémero e a verdade pela mentira, adorando a criatura, em vez do Criador ( Rom. 1,25 ), prisioneiros do medo, que gera violência, injustiça, xenofobia, ódio, guerra e toda a espécie de crimes.

3.- A Quaresma termina no triunfo de Páscoa de Jesus sobre a morte. Na Ressurreição Ele prepara-nos um lugar, junto do Pai. A vida gloriosa de Jesus é o centro e alicerce da fé. “Se Cristo não ressuscitou é vã a fé e a pregação” (1 Cor. 15,14). A Páscoa celebra a vitória sobre a morte e o retorno do Filho ao Pai, que veio para no-lo dar a conhecer. A fé no Ressuscitado livra da morte, dá vida. Ele morreu e ressuscitou por todos. A fé no Ressuscitado abre à esperança de Deus e ao outro. Não existimos, não somos felizes, não comunicamos, não temos consciência de nós, nem crescemos como pessoas, sem os outros. A pessoa é sempre alguém com outro no mundo. 

4.- No final do meu ministério episcopal, na Diocese, que vai celebrar o seu Centenário, peço que vivais no amor, pois Cristo quer a união, obra do Espírito, que Jesus dá. Jesus orou pela união dos discípulos (Jo. 17,1-26). Perseverai, na fé recebida. Vivei a unidade na caridade, para que o mundo creia e Deus seja louvado. Não vos deixeis seduzir pelo brilho efémero. Apetecei os valores eternos, firmes na fé, em Jesus Ressuscitado, que nos dá o Espírito e caminha connosco, explicando a Palavra (Lc 24,13-35). Como Paulo, despedindo-se da Igreja de Éfeso, exorto-vos a viver na fé, na esperança e na caridade, “confiando-vos a Deus e à Palavra da Sua graça, que tem o poder de construir o edifício e de vos conceder parte na herança com todos os santificados ” (Act.20, 32).

 Agradeço a amizade e a oração e rezo por vós. Que Deus vos livre do mal e alicerce, na caridade, ajudando os pobres, os estrangeiros e desprezados. Teremos sempre pobres (Jo. 12,8) e o que fizermos aos mais pequeninos a Jesus é feito (Mt 25,40). Há que abrir a bolsa, o coração e as mãos, para ninguém ser excluído, vivendo, na penúria. Somos chamados a partilhar bens, com os pobres da Diocese e do mundo. A Renúncia, neste ano de 2019, reverterá, em partes iguais, em prol dos Pobres da Diocese de Vila Real e dos pobres da Venezuela. Uma parte da Colecta será entregue às Conferências de São Vicente de Paulo, para ajuda dos pobres da Diocese, e a outra parte será destinada aos necessitados da Venezuela, que lhes chegará às mãos, através da Caritas. Deste modo, procuramos ajudar os de perto e os de longe, crescendo em empenho e solidariedade. 

Exorto a que a “vossa caridade seja sem fingimento. Detestai o mal e aderi ao bem. Amai-vos uns aos outros, com amor fraterno. Rivalizai uns com os outros, na estima recíproca. Não sejais indolentes, no zelo, mas fervorosos, no espírito. Dedicai-vos ao serviço do Senhor, permanecendo alegres, na esperança, pacientes, na tribulação e perseverantes, na oração” (Rom 12, 9 - 12).

Recomendo-me às Vossas orações, impetrando para Vós as bênçãos celestes, de modo que “ a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos Vós” (2 Cor.13,13). 

 

+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real

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