Aos Professores de Moral e Religião Católica (Act. 17, 22-34) 

Caras Professoras e Professores de Moral e Religião Católica! Nesta manhã de Sábado viestes renovar o compromisso de fidelidade a Cristo e à Igreja. E a primeira palavra que vos dirijo é de apreço e esperança. Porque ajudais a construir o Reino de Deus, a vossa missão é sublime e preciosa, mas é difícil porque as famílias que vos entregam os filhos pouco lhes dão e a sociedade onde vivem é um corpo doente, sem valores, sem Deus, sem horizontes, sem transcendência. Os alunos são pasto do egoísmo e violência vivendo ciosos de dinheiro, prazer e vedetismo, contagiados pela perversão. Resistem à visão católica do mundo, que lhes dais, porque são escravizados pelo agir pós-cristão, materialista e injusto reinante, sedentos de êxito, lucro e posse desordenada, seguindo os critérios do mundo onde as pessoas valem pelo que têm e obtêm e não pelo que são, nem pela recto agir que deviam ter.

1.-Vós sois crentes, discípulos, seguidores, testemunhas de Cristo e ensinais, em nome da Igreja, que transmite o Evangelho da salvação que Jesus, o Filho de Deus morto e ressuscitado, nos dá e deveis comunicar na Escola e onde quer que vos encontreis. Mas sucede que, como diz Saint-Exupéry “o essencial não tem peso”. O que conta para a opinião reinante é êxito, lucro, carreira, indiferença, sendo os jovens prisioneiros do hedonismo e da violência. Num mundo assim sois sinais de contradição e a Boa Nova é escarnecida, como, no Areópago. “Ao ouvirem Paulo falar da ressurreição dos mortos, uns começaram a troçar, enquanto outros disseram: “ouvir-te-emos falar sobre isso ainda outra vez. Foi assim que Paulo saiu do meio deles” (Act. 17,32). Os critérios do mundo não são os de Jesus que veio servir e dar a vida (Mc 10,45). O mundo apetece o que vê, saboreia, pesa, quantifica, o dinheiro e o que enche o estômago. Vós sois desmancha-prazeres. Remais contra a maré, pondes o dedo na ferida. O supremo bem, a verdade e a beleza não enchem barriga, nem pesam. No descalabro moral, cresce o ódio, a aversão e a indiferença de muitos e deste modo a corrupção global aumenta.

Em Atenas, Paulo anunciou Cristo Morto e Ressuscitado e o mundo escarneceu. Hoje, anunciamos sem esvaziar a verdade, porque há o perigo de calar, de reduzir a fé e a moral, para atrair, ser simpáticos e ouvidos. “Cremos facilmente o que queremos”. A gente ouve facilmente o que traz vantagens, não compromete, nem exige conversão. Há quem domestique a verdade, baixe o nível de guarda, hipoteque valores, reduza a mensagem, faça dela self-service, para agradar ao mundo. Mas a verdade está acima das conveniências. “Amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”, diziam os antigos.

Para ganhar audiência, cala-se e mutila-se a verdade de Cristo, cedendo ao engodo do populismo, esquecendo as exigências do tesouro da verdade, que o Ensino da Moral e da Religião Católica deveria apregoar e apresentar, com convicção e coerência.

2.- O Professor de Moral e Religião Católica é discípulo e testemunha de Cristo. Deve falar d’Ele, com convicção e entusiasmo e ensinar o que a Igreja diz. Não é neutro, profissional do sagrado, mago, bruxo vendedor de banha de cobra. É um convertido, que não desiste de converter-se e ensina o que deve, lhe vai na alma e o Ressuscitado pede para testemunhar. Quem não ensina o que deve, não comunga, não se confessa, não reza, nem pratica o bem de que fala, não é verdadeiro discípulo de Cristo, mas um contra-testemunho. Não separar a Religião e Moral Católica da vida e do anúncio, que a Igreja, como comunidade, transmite. A Igreja, que somos e de que fazemos parte, é obra de Deus. Não é o quintal do Papa, do Bispo e do Padre, mas a agricultura de Deus, a comunhão de homens e mulheres baptizados, cientes da comunhão com a Trindade Santíssima. A Igreja é plural, é o Corpo de Cristo, a comunhão de co-responsáveis do anúncio missionário e da ascensão para Deus, na santidade.

Tem mais impacto nos alunos um gesto de adoração, oração e acção de graças, junto com o bom exemplo e a recta conduta, que muitos belos discursos. Há que evangelizar o homem todo, cativar os alunos, pela via do amor e pelo exemplo, que arrasta e deixa marca indelével, na gente nova. O mundo de hoje precisa de testemunhas, de mestres que comprovem com a vida a verdade das suas afirmações teóricas.

Como João Baptista, o Professor é porta-voz da luz que é Cristo e como João quer que “Cristo cresça e ele diminua”. O professor não é luz, verdade ou messias, mas é servo que faz a sua obrigação. Segue Cristo, anuncia Alguém maior que ele. Por isso, não seja vedeta, centro de atenções, com a ânsia de brilhar. Seria contraproducente e obteria o contrário do que deve estimular, nos alunos, ciosos de testemunhas convictas, que lhes falem de Cristo e que os ajudem a crescer em amor, a apetecer o verdadeiro bem e a amadurecer ideais nobres, excelsos, santos e imorredoiros.

3.- O elixir e móvel do Ensino da Moral e Religião Católica é o amor. Já Santo Agostinho dizia: “O que possuímos, com a mente, obtemo-lo conhecendo, mas, nenhum bem é perfeitamente conhecido, se não o amarmos perfeitamente” (De Div.Qaest.,35). Devemos investir em conhecimento e na pedagogia. Devemos actualizar-nos, é bom saber o mais que pudermos e saber expor, mas não esquecer que o amor é que é o móvel da aprendizagem e do ensino. A ciência ajuda, se caldeada e movida pelo amor e pelo desejo de saber e de ver a Deus, como dizia S. Ireneu: “ A glória de Deus é o homem vivente e o desejo do homem é ver a Deus ”.

A Fé não vem do saber, de teorias e leis morais extrínsecas, mas do encontro vivencial e apaixonado com Cristo, que nos amou primeiro, para, com a fé, correspondermos ao dom do Seu amor. O saber intelectual ordena-se à formação, à valorização, realização e vida da pessoa, como diz a Carta a Diognetes ( séc. II ): “Não é a árvore da ciência que mata, mas a desobediência. Não se tem a vida, sem a ciência, nem uma ciência segura, sem a vida verdadeira. (Carta a Diognetes, 12, 2-4).

4.- O Professor de Moral e Religião não viva à parte, como ave rara, longe da Igreja e da Paróquia, mas prime pela opção de vida cristã, viva conforme à doutrina e moral católica, praticando os valores evangélicos, bem inserido, na Paróquia, na Diocese e no anúncio do Evangelho, e participe em actividades apostólicas e em movimentos. Além disso, o Professor do EMRC deve ter habilitações, conhecer a cultura do mundo actual e as questões sociais e ter sólido conhecimento da fé e da moral católica. A admissão de candidatos deve observar todas as condições legais de qualificação científica e pedagógica. O Professor deve adoptar os Manuais do EMRC, participar nos encontros de formação propostos pelo Secretariado da Diocese, dialogar com os professores do EMRC e com os Professores doutras disciplinas e cumprir os seus deveres escolares e cívicos, dando bom exemplo, cativando para o conhecimento e amor de Cristo, pondo em prática o que é pedido, na Declaração de Compromisso, que publicamente assinou, ciente de que a Renovação do Compromisso e o cumprimento das orientações é um requisito essencial, para a confiança, que a Igreja Diocesana de Vila Real deposita, em cada um dos docentes, que deverão informar o Secretariado dos acontecimentos mais relevantes da sua actividade de ensino, cumprindo todas as estipulações que o mesmo Secretariado Diocesano lhes prescreve.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, queridos Professores do Ensino de Moral e Religião Católica que Deus Vos ajude, guie e ilumine de modo a viverdes unidos, criardes comunidade, bem activos na Paróquia e na Diocese, dando aos homens e mulheres do nosso tempo e às novas gerações de Jovens e Adolescentes o tesouro incomensurável da verdade de Cristo. Com este desejo e estes objectivos Vos saúda cordialmente o Vosso bispo.

+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.

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