Caros Diocesanos, Irmãos e Irmãs em Cristo, Filho de Deus e Homem verdadeiro:

 

O programa diocesano aposta na Nova Evangelização para a transmissão da Fé Cristã, em ordem a plasmar a sociedade dos valores do Evangelho, que outrora a motivavam. Há, para isso, que redescobrir a mensagem originária da celebração do Natal e atender ao que é essencial e é decisivo e que passa por colocar o Evangelho de Deus, no centro das celebrações, de modo que todas as atenções se dirijam para Jesus, que nasceu, pobre, no Presépio, e passou, fazendo o bem, gastando a vida ao serviço, até ao ponto de morrer e ressuscitar, por cada um de nós. Profundamente gratos e tocados, pelo dom maravilhoso do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus, saberemos, então, colher o grato e jubiloso benefício da Sua divina mensagem salvífica, que nasce e transborda da Sua Vida e Mistério.

 

Há que libertar e purificar o Natal das práticas pagãs, do que, indevidamente, a ele se colou, no decorrer dos tempos, mercê do comércio, da avidez desenfreada do lucro e do egoísmo, do colorido comercial e carnavalesco, que transformou esta festa natalícia em demonstração de caprichos, desgovernos e banalidades risíveis e superficiais, sem espírito de equidade e bom senso, sem conteúdo, sem razão de ser e sem sentido. Há que libertar o Natal da escória do que é espúrio e a ele se foi juntando, sem dele fazer parte e sem a ele, rigorosamente, pertencer. Há que estar atentos e defendermo-nos das seduções e propostas maléficas do secularismo cruel e agressivo, sem memória, sem piedade e sem coração, que origina, em nós, o amargo sentimento de orfandade e a experiência de tristeza e de eclipse de Deus, a que a indiferença geral nos conduz e que é enormemente potenciada, pelo relativismo e pelo secularismo que relegam a fé cristã, para o âmbito da estrita vida privada, trocando-a pela banalidade, pela apatia e pelo desinteresse, que metem dó e contagiam a muitos.

É costume, nesta altura, escreverem-se cartões de boas festas, trocarem-se presentes e saudações, sem que se saiba porque e para que tudo isto se faz, de modo que muitos actuam, como autómatos e marionetes de feira, telecomandados, pela opinião pública dominante, pela ditadura da propaganda do politicamente correcto e por descarados intuitos, suicidas e aniquiladores, que não escondem o seu desejo de expulsar Deus do mundo e de falsificar a verdade da fé cristã, expressa, na Festa do Nascimento e da Encarnação do Filho de Deus, o acontecimento por excelência da história humana. Por tudo isto, já se vê que é urgente dar a Deus, ao Presépio e ao Menino Deus o lugar que é o d'Ele e só d'Ele, de modo que seja o Menino Jesus, que por nós nasceu, a atrair os corações e a conduzir os seres humanos, na prática das boas obras de misericórdia.

 

Conformados ao espírito do mundo, à vil comercialização de sentimentos e atitudes e ao despudorado paganismo desenfreado, os cristãos, também eles agora paganizados, converteram-se, em inconscientes, que andam a reboque e vivem a toque de caixa, transformados num rebanho de encolhidos, de indiferentes e de complacentes, que se deixam manobrar, pela opinião pública dominante, voltando as costas à verdade e à grandeza do Evangelho, enterrando a luz de Cristo, envergonhando-se d'Ele, dando razão ao que já Freud dizia: "os cristãos são um rebanho de mal baptizados, que vivem e praticam um politeísmo bárbaro".

 

Frente à triste e deplorável situação, em que vivemos, quer a crise económica, quer a subjacente e mais grave crise humana e moral da falta de valores transcendentes e motivantes, quer a aposta, no conhecimento, na globalização e no necessário trabalho, em rede, pedem-nos, para, de mãos dadas e urgentemente, tomarmos consciência do que somos, do que celebramos e daquilo a que somos chamados e temos obrigação de dar a esta sociedade desumana, triste, podre, corrupta, sem alma e desorientada, que vive sem Deus e sem esperança redentora.

 

É tempo de apostar, na moderação, escolha e sequela do essencial e na ajuda mútua e abertura ao próximo, na procura do bem comum, na apreciação dos valores perenes da verdade, da justiça, da liberdade, do respeito mútuo e da solidariedade humana. Há que, nestes tempos, abrir os olhos, acabar com a injustiça e socorrer os necessitados.

 

O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Natal que a Igreja de Deus celebra e que nos deve motivar e levar a converter e a mudar esta sociedade, parca de valores, nos ajude a mudar de vida, a arrepiar caminho, a despertar para a alegria de servir e dar a vida, em prol dos outros, como o Senhor da Vida e Filho Unigénito de Deus o fez ao nascer, viver, morrer e ressuscitar por nós. São estes os ardentes e fervorosos votos do Vosso amigo e irmão Bispo, que, com ternura, Vos abraça a todos, na alegria de Deus Menino e da Virgem Imaculada que no-Lo deu à luz.

 

Vila Real, Festa da Imaculada Mãe do Filho de Deus, 8 de Dezembro de 2011

 

Amândio José Tomás, bispo de Vila Real.

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