Em nome do Senhor, saúdo, com amizade, todos os Fiéis da Diocese de Vila Real, os caros irmãos e irmãs, na fé, os Religiosos e as Religiosas e os Presbíteros, amigos e dedicados colaboradores, na causa do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo.

1.- Neste tempo de alegria pascal, na semana da vida, após a semana de oração pelas vocações e ouvida a alegoria do Bom Pastor e do rebanho, apascentado por Jesus que é a porta, o caminho, a verdade e a vida e que ama, conhece e chama a cada uma das ovelhas, pelo nome, dando a vida, por elas, também eu, pobre ovelhinha, discípulo, seguidor e testemunha do Ressuscitado, e animado, pelo Seu amor, palavra e graça, em nome do Senhor, ouso lançar as redes, abraçar o arado e a cruz, exultando de alegria, em Deus, meu Salvador, dando graças ao Pai, por Cristo, no Espírito.

Cristo, Bom Pastor, diz na alegoria: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”(Jo 10,10). O lema episcopal de D. Joaquim é “para que todos tenham vida” e o meu é “Cristo Fonte de Vida e Esperança”. A Igreja não se anuncia a si, mas a Cristo, Filho de Deus, morto e ressuscitado. Não há salvação noutro nome. Cristo é o alicerce da Igreja. Guiado pelo exemplo da minha mãe, Esperança Maria, aprendi dela e com ela a amar Jesus, a Lhe consagrar a vida, com o lema de Santa Teresinha, que escolhi, já, como presbítero: “ Deus e as almas, o resto não conta ”.

2.- Após uma peregrinação pelo mundo, Deus trouxe-me à minha terra, para aqui dar testemunho do Ressuscitado, que ordenou ao Apóstolo: “ Coragem! Assim como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim é necessário que o dês também em Roma ” ( Act. 23,11 ). Paulo foi enviado a Roma e a mim levou-me lá e trouxe-me, de novo, aqui, depois de 27 anos passados, em Roma, 7 noutras partes e 6, em Évora. Pede-me, agora, para continuar a testemunhar Cristo, na diocese, onde nasci e estudei e para onde, há três anos, fui enviado pelo Santo Padre Bento XVI. Estou ciente da minha fraqueza, sei e acredito, profundamente, que, como Paulo, “tudo posso n’Aquele que me conforta” e que foi o Senhor que me escolheu para ir e dar fruto, certo da minha pobreza e de que levo, como o Apóstolo, o precioso tesouro da fé, do amor e da alegria pascal, num pobre, frágil e fraco vaso de barro.

A minha gratidão vai para Deus Nosso Senhor, que tudo dispõe para o bem daqueles que ama. Não escolhemos a terra, os pais, a vida e os amigos que nos foram dados. Tudo é dom, tudo é graça. Louvado seja o nome do Senhor. Agradeço aos meus pais, à minha mãe velhinha, com 94 anos, que me trouxe, no seio, me ensinou, no seu regaço a amar Jesus, a viver para Ele, a consagrar-me, no testemunho do Seu nome. Agradeço aos que me ajudaram e, antes de mais, agradeço ao Santo Padre Bento XVI, génio humilde, de grande sabedoria e bondade, que, em 2008, me colocou, aqui, como bispo coadjutor e ao qual prometo obediência e fidelidade, disposto, da minha parte, a agir sempre ‘com Pedro e sob Pedro’, grato pela amizade, ensinamentos e atenções recebidas e disposto a suavizar, ajudar e a fazer-me eco da sua solicitude de Pastor da Igreja Universal, por todas as igrejas, nesta pobre e pequenina parcela, ícone e sacramento da Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica.

Peço a intercessão celeste do Bem-Aventurado Papa João Paulo II, que me impôs as mãos, me ordenou bispo, na Basílica de S. Pedro do Vaticano, no dia 6 de Janeiro de 2002 e me enviou para Évora, como bispo auxiliar, cireneu de D. Maurílio de Gouveia, que foi, para mim, um irmão e um pai.

Felicito, cordialmente, D. Joaquim Gonçalves pelo seu 75º. aniversário natalício, como seu pobre cireneu, bispo coadjutor, ao longo de três anos. Aproveito para, em nome da Diocese, agradecer a sua dedicação ao longo de 24 anos, 4 como coadjutor e 20 como bispo diocesano e para Lhe desejar muitos anos de vida, merecido repouso e boa saúde, assegurando-lhe apreço e disponibilidade em ajudá-lo, no que for possível, como se fez, na sua doença e feliz restabelecimento. A Diocese de Vila Real é grata, a Diocese é boa, os Padres e os Fiéis agradecem a Deus o longo pontificado do Bispo que os conduziu pelos caminhos do amor e da fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo.

Saúdo os meus Irmãos Bispos da Conferência Episcopal Portuguesa, o Seu Presidente e Vice-Presidente, há pouco eleitos, o caro amigo Metropolita, D. Jorge Ortiga, e, na sua pessoa, os Irmãos Bispos desta Província Eclesiástica de Braga. Com eles todos, quero dar testemunho concorde de comunhão e fraternidade sacramental.

Agradeço ao Senhor Núncio Apostólico, D. Rino Passigato, pedindo o favor de se fazer intérprete da minha gratidão e inteira fidelidade, junto do Santo Padre Bento XVI, pelo qual nutro profunda admiração e apreço e um reconhecimento nunca desmentido.

3. - A Igreja comunica e entrega o tesouro da fé cristã. A história não começa hoje. Devemos muito aos que nos precederam, aos quais nos ligam os laços da fé recebida e da gratidão. Recordo o D. João Evangelista de Lima Vidal, primeiro bispo da Diocese, D. António Valente da Fonseca, o bispo do meu tempo de Seminário que me ordenou de Diácono, D. António Cardoso Cunha que me ordenou de Presbítero e me enviou por duas vezes para Roma estudar e D. Joaquim Gonçalves a quem me foi dado servir, durante três anos, como coadjutor, e ao qual reitero a minha amizade.

4. – Há quem peça programa, linhas de orientação e o plano pastoral, que é o da Igreja Universal, comprometida na preparação do Sínodo sobre a transmissão da fé e a nova evangelização, nova nos métodos, na mudança de estruturas, na linguagem, no ardor apostólico, para instaurar tudo em Cristo, partindo de Cristo e orientados para Ele. De contrário o que fizermos assenta em palha. Ninguém deve impor a Deus a maneira como Ele quer salvar o mundo. É o Espírito de Cristo que nos move a crer, a aceitar e a compreender o escândalo da cruz.

“A Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã ”, é o objectivo do próximo Sínodo dos Bispos, o desejo do Papa, a tarefa da Igreja e será a nossa, nos próximos anos. Em data oportuna, terão lugar assembleias do clero e dos fiéis, para ver o que fazer e como fazer, para tornar Cristo conhecido e amado, sabendo que Cristo conta com todos e que todos somos poucos para anunciar o Senhor ressuscitado.

A todos, generosamente, confirmo, nos cargos, desde o querido e tão dedicado Vigário Geral até ao mais humilde dos Párocos e servidores do Evangelho. Com a ajuda de Deus e de todos, veremos, depois, como fazer as mudanças necessárias, pedindo a vossa solidariedade, empenho e compreensão, garantindo-vos, da minha parte, o meu afecto, apreço e desejo de acertar.

O bispo nada consegue, sem os Padres, Religiosos e Fiéis. Daí a necessidade imperiosa de formar agentes de pastoral, numa Escola de Ministérios. O bispo precisa amizade e solicitude de Fiéis, Religiosos e Presbíteros. A Igreja é, em si, mistério, lugar e escola de comunhão e deve apostar no caminho sinodal, na co-responsabilidade, no trabalho em rede, na pastoral de conjunto, na solidariedade e fraternidade vivida e experimentada.

Consciência, renovação e diálogo. “No diálogo não há vencedores nem vencidos, mas enriquecidos”. Procedamos como diz Santo Agostinho e o Concílio Vaticano II propôs: “unidade nas coisas necessárias, liberdade nas duvidosas e caridade em tudo”.

Somos servos inúteis e não fazemos mais que a nossa obrigação, cientes de que “há mais alegria em dar que em receber” (Act. 20,35), como disse Jesus. Procuremos com ardor “fazer o bem onde deve ser feito”, como dizia a Mãe Maria Clara, fundadora das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, que agora será beatificada. Associo-me à alegria da Congregação e da Igreja portuguesa e a ela recorro, pedindo a sua intercessão, no desempenho da missão que a Vós e a mim me é pedida.

Em comunhão de orações, a todos saúdo e peço ajuda, colaboração e compreensão, na missão, com o afecto do Vosso muito dedicado e amigo Bispo da Diocese.

Vila Real, 17 de Maio de 2011

+ Amândio José Tomás

 

f
Copyright © 2019 www.diocese-vilareal.pt - xsDesign by Hostgator